sexta-feira, 20 de abril de 2012

Corrupto? Eu?



Falar sobre corrupção é discorrer sobre um assunto bastante comentado na mídia, mas é também tocar numa ferida aberta e que parece não ter cura, pois fica a impressão de que a cada dia que passa aumenta o número de pessoas acusadas de corrupção.

Muitas vezes nos decepcionamos com pessoas públicas que considerávamos um exemplo, mas um dia vem a bomba: É um corrupto!

Falando em termos bíblicos, poderíamos dizer que a corrupção é conseqüência do nosso afastamento de Deus, pois a Bíblia diz: “Deus fez o homem reto (sem curva, direito, justo, honesto), mas ele se meteu em muitas astúcias (habilidades para enganar)”.

O termo corrupto tem origem na palavra latina “corruptus”, que significa: “Quebrado em pedaços”. A mesma palavra também denota algo “apodrecido”. O verbo corromper, por sua vez, tem o sentido de “fazer apodrecer” ou de “induzir a praticar ato contrário à lei ou à ética”.

Mas afinal, o que significa ser um corrupto? Comumente, quando falamos em corrupção a associamos aos políticos do nosso país e a definimos como o ato de se utilizar do cargo para desviar o dinheiro público em benefício próprio.

Mas será que nós mesmos não somos corruptos?

A reflexão é interessante, pois os políticos fazem parte da nossa sociedade, nela nascem e nela vivem. Isso me traz à memória uma afirmação que ouvi de alguém: “Quem são os políticos? São o povo, vieram do povo, não de Marte nem de plutão”.

Muitas vezes criticamos os políticos corruptos, mas somos iguais a eles quando trafegamos sem habilitação e subornamos o guarda de trânsito para que ele nos “deixe passar”. Somos corruptos quando colocamos um “gato” para pagar menos pela energia elétrica consumida etc e etc.

E o voto? Muita gente acha que o voto deve ser vendido, quando na verdade é uma arma poderosa que pode punir o político corrupto e despreparado e pode levar ao poder o político honesto, capacitado e que realmente deseja trabalhar pelo progresso da nação.

Consideramos um avanço a LEI DA FICHA LIMPA, mas a necessidade dessa lei revela que somos um povo atrasado e despreparado na hora de votar, pois se soubéssemos utilizá-lo corretamente não haveria necessidade de lei alguma para impedir que o político corrupto chegasse ao poder. Há um pensamento que diz: “Maldito o povo que precisa de leis para não votar em corruptos”.

Creio que o maior estímulo à corrupção procede da impunidade, ou seja, o cidadão pratica a corrupção e não sofre uma punição à altura. Precisamos de mudanças na legislação e de uma Justiça mais célere e eficiente para punir os corruptos. Também precisamos de mais fiscalização e de mais transparência na utilização dos recursos públicos.

Um artigo publicado na Revista Veja em 10/12/2008 (Edição 2090) mostra que os políticos dos Estados Unidos condenados por crimes até mesmo mais leves do que os praticados por muitos políticos brasileiros, vão para a cadeia e acabam deixando a política.  No Brasil acontece o contrário, pois vários políticos (creio que não é necessário citar nomes) já foram condenados pela Justiça e mesmo assim continuam em evidência na vida pública, posando como “heróis” e “salvadores da pátria”.

Portanto, para que o Brasil seja um país melhor e menos corrupto é necessário que várias medidas sejam tomadas, mas creio que a maior mudança deve passar pela nossa mentalidade de brasileiro: Aprender a votar no mais honesto e mais capacitado e não naquele que oferece dinheiro pelo nosso voto; Aprender a cumprir os nossos deveres e a lutar pelos nossos direitos.

O famoso escritor russo Liev Tolstói afirmou certa vez: “Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”.

Sejamos então cidadãos conscientes, honestos e cumpridores dos nossos deveres. Assim, estaremos preparados para exigirmos dos nossos governantes mais honestidade, mais transparência e mais compromisso com o nosso desenvolvimento.